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INFOMESP: Tabagismo como fator de risco na mulher

Por: Prof: Nilton Moitinho Introdução: A evolução sócio-econômico-cultural das mulheres ocidentais neste século é surpreendente, como também são a incorporação de hábitos e a exposição a fatores anteriormente exclusivos ao mundo masculino. Dentre esses fatores, lamenta-se o aumento da prevalência do tabagismo entre as mulheres.

Sem hesitação é possível atribuir ao cigarro, entre outros fatores, a responsabilidade pelo aumento na incidência da doença arterial aterosclerótica nas mulheres antes da menopausa. A relação de mortalidade por doença arterial coronária entre homens e mulheres que em 1970 era de 10/1, hoje são de 2,45/1 no Estado de São Paulo(1).

Apesar de reconhecermos que parte desta diferença possa ter sido ocasionada pelo diagnóstico não adequado da doença arterial coronária nas mulheres, a prevalência do tabagismo em 1970 era inferior a 10% nas mulheres adultas ( 15 a 64 anos ) e hoje é de cerca de 25%, sendo de até 33% em mulheres na fase fértil(2). Atualmente as mulheres brasileiras têm um dos coeficientes de mortalidade por doença cerebrovascular mais elevado do planeta, principalmente antes dos 64 anos(3).

1- Divisão de Doenças Crônicas Não-Transmissíveis da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, 1992.

2- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ). Council on epidemiology and prevention. American Heart Association. 1992/1993; 48:124-6.

3- Lotufo PA- A mortalidade precoce por doenças crônicas nas capitais de regiões metropolitanas do Brasil. (Tese de Doutorado ) Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, 1996.

Evidência Epidemiológicas do Risco: Para as mulheres, o tabagismo é o maior fator de risco para doença arterial coronária. Estudo com 11.843 homens e mulheres na faixa etária de 25 a 52 anos, residentes na Noruega, revelou que as mulheres que fumavam mais de 20 cigarros por dia tinham seis vezes mais chances de ter Infarto Agudo do Miocárdio quando comparadas a não fumantes. Nos homens fumantes o risco aumentou três vezes em relação ao não fumantes.

Interessante ressaltar que não existe diminuição do risco de Infarto do Miocárdio nas mulheres que fumam cigarros com menores teores de alcatrão e nicotina em comparação com as que fumam cigarros com altos teores. Nas mulheres o tabagismo também constitui fator de risco para a arterosclerose em artérias de membros inferiores, diminuindo a tolerância a caminhadas, inclusive no plano horizontal(19).

A interrupção do tabagismo está associada a redução de 50 % a 70% do risco cardiovascular nas mulheres. Após dois ou treis anos de abandono do tabagismo, as ex-fumantes têm risco cardiovascular igual ao das mulheres que nunca fumaram. Portanto entende-se que para otimizar os resultados na abordagem do tabagismo nas mulheres, devemos acrescentar orientações dietéticas específicas e valorizar a necessidade de incorporar a atividade física durante e após essa abordagem. Conclusão: A evolução do conhecimento técnico-científico sobre o universo biológico feminino permitiu desvendar a importância dos hormônios femininos, principalmente em relação as suas funções cardioprotetoras e sobre sua influência nas características físicas e psíquicas das mulheres. As evidências vindas dos estudos com reposição hormonal em menopausadas destacam sua importância. Os estrógenos atuam de maneira benéfica sobre o processo degenerativo aterosclerótico e global das mulheres.

Por sua vez, o tabagismo tem ação antagônica sobre esses hormônios, caracterizando-o como principal fator de risco cardiovascular nas mulheres. Com isso conclui-se que o abandono do tabagismo e a incorporação da atividade física regular no nosso cotidiano diminuirá em valores significativos a incidência de cardiopatologias provocadas pelo fumo.