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INFOMESP: Hipertensão

Hipertensão

REGIANE MONTEIRO

No Brasil, 27,3 milhões de pessoas com pressão alta não tratam o problema por desconhecimento ou falta de dinheiro para comprar remédio. Chamada de assassina silenciosa por não apresentar sintomas, a hipertensão arterial atinge aproximadamente 30 milhões de brasileiros. Desse total, apenas 9% recebem tratamento adequado para o problema, segundo dados da Fundação Interamericana do Coração. A pressão alta (acima de 14 por 9) é um fator de risco diretamente relacionado às principais doenças cardiovasculares, como o infarto e derrames. Os motivos para que tantos brasileiros ignorem os riscos da doença vão desde o desconhecimento até a falta de condições para acompanhar o tratamento.

“Mais de 40% dos pacientes não sabem que têm a doença”, alerta Antônio Ramires, diretor do Instituto do Coração (Incor). “Outra grande parte começa o tratamento, mas abandona depois de um ou dois meses”, completa. Segundo Ramires, muita gente acha que se a pressão baixou, não é preciso continuar o tratamento. Além disso, o custo com os remédios, que pode chegar a R$ 120 por mês, também impede muitas pessoas de continuar controlando a pressão com a ajuda de medicamentos. Isso porque as drogas de última geração, lançadas mais recentemente e que produzem menos efeitos colaterais, também são mais caras (veja quadro ao lado).

Esses medicamentos não são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que restringe o tratamento principalmente aos diuréticos e betabloqueadores, remédios que produzem reações como insônia e impotência. Para Sérgio Timerman, presidente da Fundação Interamericana do Coração, assim como no tratamento da Aids, os medicamentos de última geração contra a hipertensão também deveriam chegar ao SUS com maior rapidez. “Temos que pensar no que há de melhor para o paciente. Não adianta economizar e diminuir também a qualidade da vida do hipertenso”, critica. “Além disso, ainda não existe uma conscientização de que a hipertensão mata, é grave, incurável e precisa ser combatida”, completa. Segundo Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas, combater a hipertensão também exige muito do paciente. “Mudar hábitos é sempre muito difícil. Por isso, a boa relação médico/paciente é parte importante do tratamento”, conclui.